Distúrbios da Alimentação
Anorexia
Anorexia
nervosa é um transtorno caracterizado por perda de peso intencional, induzida e
mantida pelo paciente. O transtorno ocorre comumente numa mulher adolescente ou
jovem, mas pode igualmente ocorrer num homem adolescente ou jovem, como numa
criança próxima à puberdade ou numa mulher de mais idade até na menopausa. A
doença está associada a uma psicopatologia específica, compreendendo um medo
de engordar e de ter uma silhueta arredondada, intrusão
persistente de uma idéia supervalorizada. Os pacientes se impõem a si mesmos
um baixo peso. Existe comumente desnutrição de grau variável que se acompanha
de modificações endócrinas e metabólicas secundárias e de perturbações
das funções fisiológicas. Os sintomas compreendem uma restrição das
escolhas alimentares, a prática excessiva de exercícios físicos, vômitos
provocados e a utilização de laxantes, anorexígeros e de diuréticos. CID-10
Bulimia
A
bulimia é uma síndrome caracterizada por acessos repetidos de hiperfagia
(comer em excesso) e uma preocupação excessiva com relação ao controle do
peso corporal conduzindo a uma alternância de hiperfagia e vômitos ou uso de
purgativos. Este transtorno partilha diversas características psicológicas com
a anorexia nervosa, dentre as quais uma preocupação exagerada com a forma e
peso corporais. Os vômitos repetidos podem provocar perturbações eletrolíticas
e complicações somáticas. Nos antecedentes encontra-se freqüentemente, mas
nem sempre, um episódio de anorexia nervosa ocorrido de alguns meses a vários
anos antes. CID-10
Comer
Compulsivo
Comer
exagerado, tem a sensação de perder o controle sobre o ato de se alimentar,
tem ataques de comer, somente parando quando “empanturrados”. Escondem das
outras pessoas estes ataques, geralmente comem o que é proibido na dieta alimentar.
Apresentam insatisfação com o tamanho do corpo.
O que fazer?
1-
Reestruturar cognitivamente, questionando crenças e pensamentos disfuncionais
Pensamento dicotômico – tudo ou nada
Pensamento superticioso:
"Se comi um doce imediatamente engordarei".
Magnificação: Superestimar conseqüências indesejáveis:
"Se comer não agüentarei....
Abstração Seletiva: Somente acreditar em suas suposições. "Se não estou
namorando é por estar gorda”.
2- Restringir a alimentação a lugar para este objetivo
3- No momento da
alimentação, realizar apenas esta atividade. Não criando outras associações
prazerosas.
4-
Deixar alimento no
prato, (parar de comer porque colocou alimento.)
5- Limitar alimentação,
guardando o resto. Só pegar se depois de concluir a alimentação desejar.
6- Nunca comer de potes
ou panelas.
7- Distinguir fome “física”
da “psicológica”.
8- Personalização e auto-referência: Interpretação ego-centrada. "Duas pessoas me olharam e me gozaram por eu estar gordo".
9- Auto-monitoramento
10- Gratificação: identificar possíveis ganhos secundários.
11-Exposição
a situação temida
em imaginação
(crises de bulimia, comer compulsivo), gradualmente.
12- Compreender o conjunto de crenças favorecedoras de ansiedade.
13- Identificar distorções do pensamento: intensificação de emoções, catastrofização de acontecimentos, preocupação excessiva --> padrões de pensamento geradores de ansiedade.
Pesquisa Alexandre Rivero
Texto
abaixo de: Dr Rubens Pitliuk em
http://www.mentalhelp.com/Anorexia_Bulimia.htm
Incidência
A
Anorexia Nervosa é muito mais freqüente em adolescentes do sexo feminino do
que masculino. Por isso este texto é escrito no feminino. Ela também pode
aparecer na idade adulta. Quanto mais tarde ela aparecer melhor é o prognóstico.
Sintomas
·
O principal é o emagrecimento.
O peso cai assustadoramente. Anoréxicas com 42 Kg são consideradas de peso
bom. Freqüentemente o peso chega a 36, 32, 28 Kg ou menos.
·
Vômitos
sempre que ingerem qualquer quantidade de comida. Os vômitos são provocados
com os dedos, com cabos de colher, com arames, etc. Elas vomitam no banheiro, no
chuveiro e se não for possível, em vasos de plantas, sacos plásticos, papel
higiênico, onde for possível. Se não vomitarem se sentem sujas por dentro e
completamente "estufadas".
·
Interrupção da menstruação.
Na maioria das vezes a menstruação cessa antes da diminuição grave do peso.
Ou seja, a desnutrição não é a única causa da amenorréia. Por outro lado,
às vezes a menstruação recomeça antes de um ganho de peso importante.
·
Excesso de exercícios físicos.
A pessoa com Anorexia nunca acha que está magra o suficiente.
·
A paciente tem uma visão
distorcida do próprio corpo: acham que os seios e o abdomen são grandes
demais, mesmo que já estejam "retas".
·
Uso (geralmente
escondido) de diuréticos,
laxantes, hormônios de tireóide e pílulas para emagrecer.
·
Isolamento social
e dificuldade para namoros e vida sexual.
·
Adoram cozinhar e servir
comida para os outros.
·
Personalidade
mais comum:
·
Geralmente são meninas
muito inteligentes, perfeccionistas, bonitas e espertas.
·
Mas são retraídas,
pouco expansivas, quase sem amigos, não tem namorado, não se interessam
por vida sexual.
·
Acham que o tratamento é totalmente desnecessário.
·
Vão ao médico apenas para que
os pais as deixem em paz.
·
Gostam de se isolar nas refeições, fingem que comem, vomitam em segredo,
escondem a comida, trocam os medicamentos receitados, substituindo os
comprimidos por laxantes, diuréticos, Anfetaminas.
Por
mais que os pais e os médicos achem que estão controlando a situação, as
Anoréxicas são sempre mais espertas... pelo
menos no começo…
Causas:
Provavelmente
existem componente psicológicos e biológicos:
OBS.:
Se alguém perdeu peso por causa de alguma doença consumptiva (que consome), ou
endocrinológica ou de um Depressão grave, evidentemente não se pode falar de
Anorexia Nervosa.
Procedimento:
1.
O
tratamento tem que começar rápido, com muita firmeza, sem deixar absolutamente
nenhuma alternativa para a paciente, de modo que fique claro para ela que não
pode vomitar e que tem que ganhar peso.
2.
Como
se faz isso ? Através de um trabalho de Equipe:
2.1Antidepressivos.
Se receita antidepressivos porque quase sempre a anorexia é acompanhada de um
estado depressivo, porque eles diminuem o caráter compulsivo dos vômitos e da
distorção da auto-imagem e finalmente porque eles agem no sistema de
neurotransmissores que estão alterados nessa doença.
O tempo de espera para começar o efeito é de várias semanas; além disso a
paciente não aceita estar doente e não quer tomar remédios (a não ser aqueles
que a façam perder mais peso). Portanto aí já começa a primeira batalha entre os
pais e a paciente.
Além disso, existem muitos antidepressivos diferentes e pode ser que as
primeiras tentativas não tenham um resultado bom. Nesse caso, é preciso ter
paciência para uma tentativa com outro antidepressivo que também precisará de
algumas semanas para ser avaliado.
2.2 Psicoterapia.
É muito importante, embora geralmente os pacientes só vão ao terapeuta para que
a família os deixe em paz. Esse é um dos motivos pelos quais a Psicoterapia não
se aprofunda, fica arrastada, e parece que é um castigo semanal para o paciente.
A forma de psicoterapia mais eficaz é a Cognitiva.
2.3
Às vezes é necessário que o Endocrinologista e um Nutricionista façam um
programa de nutrição.
2.4
Internação hospitalar por algumas semanas. Atenção:
hospitalização não é castigo. Ela deve ser encarada da seguinte maneira: o
tratamento da anorexia é como se fosse uma corrida. De um lado está a
paciente, seu tratamento ,medicamentoso e psicológico, de outro lado está a
natureza da doença, que freqüentemente é fatal. Chega uma hora em que a
paciente e seus terapeutas começam a perder a corrida. Isto quer dizer que o
estado de emagrecimento chegou num ponto em que a paciente começa a correr
riscos para sua saúde física. Nessa hora entra a hospitalização.
Os
principais objetivos são:
·
Ganhar peso (ler o último
parágrafo deste texto).
·
Tratar intercorrências
orgânicas da desnutrição.
·
Deixar claro para a
paciente que trata-se de salvar sua vida, quer ela queira ou não.
Embora
seja muito pouco aceita pela família (pela paciente nem se fala), uma internação
hospitalar no início de um tratamento proporciona os melhores resultados.
·
Prepare-se para uma luta
de anos. Geralmente a família
sofre porque não consegue ajudar e sobrecarrega a paciente porque ela não quer
ser ajudada.
·
A necessidade de
controlar o peso e a alimentação, os cuidados para que ela tome o remédio
certo e não o errado, são uma batalha diária.
·
Melhoras iniciais, no
começo de cada tratamento não significam nada.
O tratamento se arrasta por anos a fio. As recaídas e a cronificação com
baixo peso e isolamento social são mais freqüentes do que a cura completa.
·
As pacientes mudam de médicos.
Às vezes porque procuram outros com a esperança de "dar um baile"
mais fácil, às vezes porque a família se cansa e procura outras alternativas.
Observações
1.
Algumas vezes o primeiro
remédio não produz resultado. Na maioria das vezes basta trocar de medicação.
2.
Mesmo que você já
esteja se sentindo bem, não interrompa a medicação. Seu médico deve decidir
quando diminuir, interromper ou trocar de medicação. O tratamento
medicamentoso costuma ser muito longo e mesmo assim não se pode ter certeza que
não hajam recaídas no futuro.
3.
Alguns antidepressivos
podem apresentar alguns
efeitos
colaterais que nem sempre ocorrem e geralmente são muito fracos e não
chegam a incomodar.
Evolução
Por
mais desgastante que seja o tratamento, existe um fator que a família nunca
pode esquecer: o aumento de peso pode curar uma Anorexia mesmo que esse
aumento de peso seja forçado.
Uma
parte das pacientes cura sem tratamento. Outra parte cura com tratamento. A
maioria evolui de maneira crônica, alternando períodos de peso normal com períodos
de anorexia e de bulimia.
Uma
parte muito grande que pode ir de 10 a 30% morre, devido a causas:
Raramente
o tratamento vai até o final com o mesmo médico que diagnosticou.
A pressão das pacientes para mudar de médico, mais a ansiedade da família em
ver resultados rápidos faz com que as pacientes troquem de médicos e
psicoterapeutas com freqüência.
Bulimia
A
bulimia pode ser uma patologia independente, ou fazer parte da evolução da
anorexia.
Ela
consiste basicamente em ingerir
quantidades enormes de alimentos, principalmente doces (quilos de chocolate,
latas de leite condensado, etc.), e depois provocar vômitos ou diarréias.
A
forma de anorexia nervosa descrita acima é a chamada restritiva. Existe uma
outra forma, mais freqüente, chamada de bulímica. Bulímica significa que a
menina alterna fases de restrição de ingestão de alimentos, com fases de
bulimia.
Para
melhor compreensão vamos chamar a primeira apenas de anorexia e a segunda
apenas de bulimia.
Uma
moça que sofra de bulimia pode apresentar seus sintomas sem ter tido nenhuma
fase de anorexia antes, ou pode apresentar depois de uma fase de anorexia.
A
anorexia é bem mais grave, embora a bulimia também o seja.
Na
bulimia todas as características de personalidade descritas para a anorexia
também existem, mas com menos intensidade.
Assim,
a mulher com bulimia talvez não tenha um namorado, mas pode ter amigos, e
ocasionalmente até mesmo alguma atividade sexual.
O
perfeccionismo e a obsessividade também são mais fracos.
A
paciente pode apresentar episódios de
tricotilomania
(arrancar os próprios cabelos), tricotilofagia (comê-los), de cleptomania e de
depressão,
A
bulimia pode curar muito mais e cronificar muito menos, mas sem tratamento também
pode ser fatal. O excesso de vômitos pode produzir grandes distúrbios metabólicos.
Com
freqüência existe destruição do esmalte dentário, e lesões no céu da boca
e na garganta, provocadas pelos instrumentos utilizados para provocar os vômitos.
A
internação hospitalar é mais rara do que na Anorexia, pois a paciente, por
sofrer mais com a Depressão, e por ter mais consciência dos sintomas, aceita
melhor o tratamento em casa.
Se a
Bulimia não faz parte da evolução de uma Anorexia, o prognóstico é melhor
ainda.
O
tratamento segue as mesmas linhas gerais da Anorexia : Psicoterapia e Medicação
Antidepressiva. Conforme escrito anteriormente, tudo é mais fácil, embora também
não seja tratamento simples e nem de curto prazo.
Um
terço das pacientes com bulimia apresentam
sazonalidade,
isto é, a Bulimia é mais forte no inverno e nos dias nublados, com pouca
luminosidade.
Esses
casos podem responder bem à fototerapia.