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                                             Depressão

 

 

por Alexandre Rivero

 

“Sinto-me sem energia. Mesmo dormindo acordo muito cansado. Tudo parece em preto e branco, nada me motiva ou me desperta interesse. Prefiro ficar sozinho, estar com pessoas é um martírio.”

A OMS (Organização Mundial da Saúde) acredita que a Depressão seja uma das doenças mais importantes do futuro. Hoje é a quarta causa de incapacitação no mundo. Em 2020, será a segunda, perdendo apenas para doenças cardíacas. Acredita-se que 121 milhões de pessoas no mundo estejam deprimidas. Sintomas: isolamento, culpa, irritabilidade, ansiedade abandono das responsabilidades, cansaço, insônia, baixa auto-estima e insegurança. A pessoa em depressão sente-se sem motivação para viver. A depressão compromete funções cognitivas: memória, concentração, atenção e organização do pensamento.

A depressão limita: atividades profissionais, relacionamentos e o interesse sexual.

Segundo o Psicólogo norte americano Aaron Beck estudioso da Depressão existem 6 categorias de crenças que produzem depressão: 1. "Para ser feliz devo ser aceito por todas as pessoas". 2. "Para ser feliz devo obter sucesso em tudo que faço". 3. "Se eu errar, isso significa que sou incapaz". 4. "Não posso viver sem outra pessoa". 5. "Se alguém discorda de mim, isso significa que não gosta de mim". Estas premissas criam um ambiente mental propício à Depressão. 

          

Lippy e Hard 2 estilos de perceber a vida.

 

Lippy e Hard dois estilos cognitivos de perceber a realidade, Lippy o estilo otimista a abertura a aprendizagem, mesmo diante da frustração. A busca de oportunidades, a valorização do processo mais que um resultado pronto e acabado. Hard o estilo depressivo, os pensamentos negativos, a visão dicotômica tudo ou nada. A persistente impotência em lidar com a vida. Diante das mais diversas situações da vida você escolhe o estilo Lippy ou Hard?

 

 

 

A depressão é real, apresenta causas reais e exige suporte efetivo: Terapia de base Cognitiva e em casos acentuados atendimento médico-psicológico. A pessoa desenvolve um olhar negativo frente a eventos.  Assumir uma atitude de buscar tratamento é fundamental para superar o isolamento e a baixa estima. A culpa, a ansiedade, a irritabilidade e a perda de motivação são esperadas na depressão. Funções cognitivas como: memória, atenção e organização do pensamento são afetadas. Podem ocorrer pensamentos suicidas.

A depressão não é falha de caráter ou preguiça, é adoecimento do humor.

 

A depressão caracteriza-se por uma baixa reatividade frente o ambiente, diminuição da capacidade de experimentar prazer, alegria, entusiasmo. Auto-desprezo, culpa-se exageradamente por pequenas faltas, podendo sentir-se responsável por tudo que acontece de errado no seu meio ambiente. Diminuição da confiança em si mesmo produzindo um sentimento de insuficiência e incapacidade. Idéias persistentes de suicídio. Estado de vulnerabilidade, choro muito constante, ansiedade muito persistente.

 

 

Sintomas

Causas:

 

·  -Crenças disfuncionais, pessimistas - Cultura Familiar.

·  -Distorções de pensamento negativistas.

·  -Predisposição genética

·  -Situações difíceis, desgastantes, frustrantes.

·  -Perda de pessoa querida, de dinheiro, de posição profissional ou social.

·  -Parto   

·  -Experiência traumática na qual a pessoa se sentiu indefesa ou humilhada ou sem possibilidade de reação, por exemplo assalto, seqüestro, acidentes. Esse conjunto de sintomas é denominado de  Distúrbio de Stress Pós Traumático (a sigla desse Distúrbio é PTSD = Post Traumatic Stress Disorder).

·  -Psicose

·  -Uso ou abuso de certos medicamentos, por exemplo Cortisona, Anfetaminas, Quimioterapia, etc.

·  -Drogas ou álcool, intoxicações.

   -Algumas doenças físicas como por exemplo Hipotireoidismo, Câncer, Pneumonia, Mononucleose, Reumatismo, Insuficiência Cardíaca, Infarto do Miocárdio, Cirurgia de Ponte de Safena, Asma, Insuficiência Respiratória, etc.

·  -Dores crônicas

·  -Traumatismos cranianos

·  -Doenças cerebrais, por exemplo Acidente Vascular Cerebral ("derrame"), Insuficiência Circulatória Cerebral, Alzheimer, Arteriosclerose, Esclerose Múltipla, Parkinson, ---Epilepsia, Aneurismas, Enxaquecas, etc.

·  -Radioterapia

·  -Anemias e Hipovitaminoses

·  -Aids

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Distorções de pensamento negativistas:

 

atitudes pessimistas e ilógicas desempenham papel importante no desenvolvimento e manutenção dos sintomas depressivos. Burns – 1992.

 

·   Absolutismo – A pessoa percebe a vida como tudo ou nada. Exemplo: A organização que trabalho me ajudará na obtenção do emprestimo solicitado, logo é boa. Caso não me ajude é horrível.

·   Supergeneralização – A pessoa acredita que algo que ocorreu uma vez irá ocorrer sempre. Exemplo: João não sorriu para mim, portanto ele é arrogante e trata todo mundo assim de cara fechada, o tempo todo.

·   Abstração Seletiva – A pessoa filtra o negativo. Exemplo: A festa pareceu-me uma experiência muito ruim Maria não me esperou completar a frase. Pedro foi embora cedo. Antonio só reclamava da situação econômica.

·   Desqualificação do positivo – A pessoa transforma experiências neutras ou positivas em negativas. Exemplo: Clara ofereceu-me um presente para me obrigar ajuda-la a comprar um carro, ela não passa de uma manipuladora.

·   Inferência Arbitrária – A pessoa parte de uma premissa falsa de “adivinhar pensamento” e conclui o negativo. Exemplo: Ruth e Cíntia, estavam cochichando por certo falando mal de mim.

·   Magnificação e Minimização – A pessoa exagera medos e imperfeições. Diminui-se o positivo. Exemplo: Caso eu perca meu emprego morrerei a mingua.

·   Racionalização Emocional -  A pessoa as toma emoções como evidências de verdade, sendo que emoções refletem pensamentos e crenças. Exemplo: Senti medo logo não devo viajar é mau sinal. O medo esclarece meus pensamentos de acidentes.

·   Afirmações deveria – A pessoa gera pressão e ressentimento / apatia e desmotivação. Exemplo: Deveria ser mais alegre, parece que deveria ter um humor melhor.

·   Rotulações – A pessoa tem uma auto-imagem negativa, simplista e irracional, palavras com forte conotação emocional. Exemplo: Parece que tudo que eu faço acaba dando errado, eu sou muito ruim em negócios.

·   Personalização – A pessoa culpa-se, assume a responsabilidade por algo negativo, mesmo sem base. Exemplo: Caso eu tivesse impedido minha irmã de fazer a viajem ela não teria batido o carro.

 Beck, 1979  postula a idéia de que a depressão tem como causa primária as cognições:

 

    a) indivíduo se vê como inadequado, incapaz e fracassado, e atribui às experiências desagradáveis responsabilidade pessoal.

    b) interpreta de forma negativista, é como se o mundo estivesse pedindo muito dele ou apresentando obstáculos insuperáveis.

    c) visão negativista do futuro, antecipa dificuldades e o sofrimento parece que permanecerá indefinido.

 

    Esquemas são padrões cognitivos estáveis, que são ativados em certas circunstâncias para categorizar e avaliar as experiências. A pessoa tem a impressão que suas representações  da realidade são verdadeiras.

 

O que fazer?  

1-Perceber os pensamentos negativos – evitar  a generalização (acreditar que algo negativo que tenha ocorrido uma vez irá sempre ocorrer) – evitar a desqualificação das experiências positivas (cuidado em selecionar e valorizar aspectos negativos). Busque rever as distorções de pensamento, analise-as em bases racionais.

2-Não se culpar - depressão é adoecimento do humor; não é falha de caráter ou preguiça

3-Compreenda a importância do diagnóstico e tratamento - os resultados são muito positivos com tratamento psicológico, através da Terapia Cognitiva-Comportamental e em casos acentuados associando-se com acompanhamento médico.  A Terapia Cognitiva mostra-se o tratamento de eleição para a depressão.

1. 4-Automonitoração e auto-avaliação: perceber a relação entre o o pensar e o sentir.

2. 5-Reestruturando Cognitivamente (revisão de crenças disfuncionais e construção de novas crenças).

 

3. 6-Compreender o tema percepção, a atribuição de significados; bem como a construção sócio-cultural de seus significados e crenças.

4. 7-Diário de pensamentos disfuncionais. (Registrar Pensamentos Automáticos Negativos - PANS)

   8-Estabelecer o funcionamento sistêmico da depressão: crenças – gatilho - pensamentos automáticos  - confirmação das crenças – produção de alterações fisiológicas, comportamentais, cognitivas e emocionais.

 

7. 9-Análise da Narrativa (Refletir nas estórias sobre: si mesmo, situações de vida, pessoas --> procurar estabelecer padrão de pensamento repetitivo nas diversas narrativas)

 

6. Observação: os estados Depressivos moderado e grave devem envolver Acompanhamento Médico  

 

 

Pesquisa Alexandre Rivero

Histórias de Superação: Vencendo a Depressão

"Sou M.L tenho 42 anos,  minha vida foi sem energia e fadiga. As pessoas acreditavam que eu fosse preguiçosa. Sentia-me inútil e culpada, fui ficando com baixa estima e amedrontada. Não tomava decisões, como escolher a roupa de me vestir. Na infância era tímida e irritada. Achava que era meu jeito. A insônia foi minha companheira, embora de dia tivesse muito sono. O momento mais difícil foi quando comecei a ter idéias de me matar. Neste momento desejei saber o que eu tinha. Em novembro de 2008, depois de ler muitos textos de ajuda psicológica, procurei um serviço de psicologia e recebi o possível diagnóstico de depressão. Fui aconselhada a procurar um médico para fazer uma série de exames. Todos os exames acusaram que eu estava bem, prevaleceu o diagnóstico de depressão.  Iniciei sessões semanais de Terapia Cognitiva-Comportamental, hoje tenho a sensação de ter renascido para uma nova vida. Meus relacionamentos com as pessoas mudaram significativamente, me sinto muito mais querida e importante na vida das pessoas, minha energia aumentou. Estou namorando e pretendo casar-me. Sei que preciso lidar com meus pensamentos, eles causam meus sentimentos depressivos."

Histórias de Superação:

Histórias que retratam a superação de transtornos psicológicos. Registros da importância do tratamento psicológico algumas vezes associado ao tratamento médico.

Casos Clínicos que ilustram o valor do diagnóstico e a intervenção psicoeducativa, permitindo ao paciente apropriar-se do conhecimento científico (biblioterapia).

* Rivero é psicólogo clínico, mestrado USP e professor universitário