Epilepsia

O que significa epilepsia? A palavra epilepsia é derivada do grego, no qual significa uma condição de tornar-se dominado, apanhado ou atacado. O povo usava-a por acreditar que as crises eram causadas por um demônio. Assim a epilepsia tornou-se uma doença sagrada. Esta é a base para os mitos e medos que cercam a epilepsia, e que influenciam as atitudes populares no sentido de dificultar ainda mais o alcance de uma vida normal para os portadores da mesma. A palavra epilepsia não significa mais do que uma tendência para ter crises.

“ Considera-se como sendo uma disfunção temporária de um grupo de células do cérebro que se manifesta por descargas excessivas e anormais. Sabe-se que as células do cérebro devem funcionar tal qual uma orquestra, mantendo uma harmonia funcional. Essa disfunção celular desencadeia o desafinar dessa orquestra cerebral, provocando um grande desconforto. Calcula-se que se manifesta em 2-3% da população. O que são crises parciais?”

Crises parciais (antes denominadas crises focais) com sintomatologia elementar são chamadas de crises parciais simples. Durante esse tipo de crise o paciente pode experimentar uma gama de sensações estranhas ou não usuais, movimentos bruscos de uma parte do corpo, distorções auditivas ou visuais, desconforto estomacal ou sensação de medo. A consciência não sofre prejuízo. Se é seguida por outro tipo de crise pode ser referida como "aura" pulação e é mais freqüente na infância.

O que são crises de ausência? Crises generalizadas de ausência (antigo pequeno mal) são caracterizadas por lapsos de 5 a 15 segundos da consciência. Durante esse tempo o paciente parece estar fixado no espaço e os olhos podem rotar para cima. Ausências não são precedidas por aura e a atividade anterior pode ser reassumida imediatamente após a crise. Ocorrem tipicamente na criança e desaparecem na adolescência. Elas podem, porém, evoluir para outros tipos de crises, tais como parcial complexa ou tônico-clônica. A ocorrência de ausências em adultos é rara.
O que são crises tônico-clônicas? Crise tônico-clônica (antigo grande mal) é uma convulsão generalizada envolvendo duas fases. Na fase tônica o indivíduo perde a consciência e cai, tornando-se o corpo rígido. Na fase clônica os membros se repuxam e estremecem. Após a crise a consciência é recobrada lentamente. Se a crise tônico-clônica começa localmente (com uma crise parcial) ela pode ser precedida por uma aura. Essas crises são chamadas de secundariamente generalizadas. Embora as crises tônico-clônicas sejam as mais visíveis - um tipo óbvio de epilepsia - elas não são as mais comuns. As crises parciais são mais frequentemente encontradas e ocorrem em 62% de todos os pacientes epilépticos. Crises parciais complexas compreendem aproximadamente 30% de todos casos.
Quais são os outros tipos de crises? Epilepsia rolândica benigna é uma síndrome epiléptica que ocorre em crianças jovens e é limitada pela idade (desaparecem na adolescência). Manifestações típicas são salivação e estremecimento da boca ou de membro superior. As crises ocorrem quase que exclusivamente à noite. Epilepsia mioclônica juvenil é uma epilepsia caracterizada por ter seu início na infância ou adolescência e está associada com repuxos de membros ou crises tônico-clônicas generalizadas ocorrendo dentro de uma a duas horas após o despertar. Crises que podem ser precipitadas por privação de sono, ingestão de bebida alcoólica ou café tendem a ocorrer pela manhã. Outros tipos incluem: atônica, mioclônica, espasmo infantil, noturna, fotossensitiva, visual, musicogênica, jacksoniana, sensorial, acinética, autonômica, crises prolongadas e estado de mal.
O que é estado de mal? Estado de mal epiléptico é o termo usado para descrever crises recorrentes sem recuperação da consciência entre elas. É uma emergência médica pois pode ameaçar a vida ou causar dano cerebral. Ação imediata deve ser desencadeada para acesso a tratamento médico adequado.
O que são pseudocrises? Pseudocrises (ou crises psicogênicas) são muito comuns e podem ocorrer em pessoas com ou sem epilepsia. Os ataques são desencadeados, consciente ou inconscientemente, para obter maiores cuidados e atenção. As crises começam com respiração ofegante e são desencadeadas por estresse mental, ansiedade ou dor. Com a respiração acelerada ocorrem modificações na química sanguínea (alcalose) e isso pode causar sintomas muito parecidos com as crises epilépticas: formigamentos na face, mãos e pés, enrijecimentos, tremores, etc. O tratamento apropriado para pseudocrises é acalmar a pessoa e fazê-la respirar num ritmo normal. O tratamento pode envolver também a  investigação de fatores mentais e emocionais.
Como distinguir crises epilépticas de pseudocrises? Elas se distinguem por sua natureza e por seus sintomas, mas o diagnóstico pode ser difícil. As crises epilépticas são causadas por uma alteração da comunicação elétrica entre as células cerebrais, enquanto que as pseudocrises são desencadeadas por desejo consciente ou inconsciente de mais cuidado e atenção. Assim, a medida da atividade cerebral com o eletroencefalograma (EEG) e o registro simultâneo da crise através de vídeo são importantes para a distinção entre crises e pseudocrises. Além disso, as pseudocrises frequentemente não provocam a exaustão, a confusão e a náusea que estão associadas às crises epilépticas. Crises psicogênicas podem ocorrer em pessoas que têm crises epilépticas.
Podem ocorrer crises em pessoas não epilépticas? Epilepsia é uma condição crônica de crises recorrentes não provocadas. Crises isoladas e crises provocadas (por álcool ou drogas por exemplo) não são epilepsia, embora os eventos sejam crises reais. Existem muitos tipos de crises não epilépticas. Crises não epilépticas diferem de crises epilépticas no fato de que usualmente não há evidência de atividade elétrica anormal no cérebro após as crises e elas não ocorrem repetidamente. Algumas das causas mais comuns de crises não epilépticas são: hipoglicemia, síncope, cardiopatia, ictus cerebral, enxaqueca, defeitos vasculares, narcolepsia, estresse ou ansiedade extremos.
Com o que as crises parecem? As crises variam dependendo do tipo de epilepsia que a pessoa tem. Algumas crises são muito evidentes, enquanto outras podem passar completamente desapercebidas. Com os tipos mais comuns de crises existe alguma perda de consciência, mas algumas crises podem envolver apenas pequenos movimentos do corpo ou sensações estranhas.
O que a pessoa sente ao ter uma crise? Epilepsia é uma classificação geral para uma grande variedade de crises. Assim, diferentes epilsepsias têm crises bastante diferentes. Sensações comuns associadas com crises incluem insegurança, medo, exaustão física e mental, confusão, perda da memória. Alguns tipos de crises podem produzir fenômenos auditivos ou visuais enquanto outros podem envolver uma sensação de vazio. Se a pessoa fica inconsciente durante a crise pode não haver sensação alguma. Muitas pessoas experimentam uma aura antes da crise propriamente dita.
Quanto tempo duram as crises? Dependendo do tipo de crise podem durar de poucos segundos a alguns minutos. Em casos raros podem durar algumas horas. Exemplificando, uma crise tônico-clônica típica dura de 1 a 7 minutos; crises de ausência podem durar apenas poucos segundos e crises parciais complexas duram de 30 segundos até 2-3 minutos. Estado de mal epiléptico refere-se a crises prolongadas que podem durar algumas horas e isto é uma condição médica séria. Contudo, na maioria das epilepsias as crises são muito curtas e apenas pequenos cuidados primários são necessários.
Existe algo como um caso menor de epilepsia? Existem mais de 30 tipos de crises, algumas mais severas do que outras. Convulsões tônico-clônicas longas, por exemplo, podem produzir mais efeitos físicos e mentais do que crises parciais. Algumas pessoas têm crises muito frequentes (até com intervalos de horas), enquanto outras podem ficar meses ou anos sem crise. Além disso, algumas crises são facilmente controladas pelo tratamento farmacológico, enquanto outras mostram-se resistentes à medicação.


 “Disritmia cerebral é a mesma coisa que epilepsia?

 Disritmia cerebral significa a existência de alteração do ritmo elétrico cerebral registrado ao eletroencefalograma. Essa alteração não significa que o indivíduo apresente qualquer sintoma epiléptico.

Quais são as manifestações da crise epiléptica?

 O quadro pode se apresentar com manifestações motoras, alterações do comportamento, da percepção, da emoção e da consciência.”

Existe cura para a epilepsia? Não existe cura conhecida para a epilepsia. Medicamentos podem frequentemente controlar as crises mas isso não é uma cura. Algumas formas de epilepsia ocorrem na infância, dizendo-se então que as pessoas superaram as crises pelo crescimento. Em alguns casos existe remissão espontânea da desordem. Por vezes uma cirurgia para remover a parte do cérebro onde as crises se originam pode produzir parada completa e permanente das crises.

Etiologia:

Anormalidades durante a gestação, durante o parto e imediatamente após o parto. Devemos citar as doenças infecciosas, metabólicas, vasculares, degenerativas, hereditárias , além do traumatismo cranioencefálico. Existindo histórico familiar deve-se considerar a causa genética como determinante, especialmente quando se manifesta na infância e adolescência.

O que fazer:

A crise tônico-clônica (grande mal) é frequentemente a mais dramática e atemorizante, mas é importante ter em mente que a pessoa em crise está inconsciente e não sente dor. A crise usualmente dura poucos minutos e não há necessidade de cuidado médico. Os seguintes procedimentos simples podem ser usados:
1) Fique calmo. Você não pode parar uma crise, deixe que ela siga seu curso, não tente reanimar a pessoa;


2) Coloque a pessoa no chão e afrouxe sua roupa;

3) Tente remover quaisquer objetos que possam machucar a pessoa. Pode ser necessário colocar algo macio sob sua cabeça;

4) Vire a pessoa de lado para que a saliva possa sair mais facilmente da boca;

5) Não ponha nada na boca da pessoa;

6) Após a crise deixe a pessoa descansar ou dormir, se necessário;

7) Após descansar, a maioria das pessoas recupera-se completamente. Caso contrário acompanhe-a até sua casa;

8) No caso de uma criança em crise contate um familiar;

9) Se a pessoa apresenta uma série de convulsões sem recuperar a consciência entre elas ou uma convulsão que dure mais de dez minutos procure imediatamente socorro médico.


Nas crises parciais complexas:


1) Não restrinja a pessoa, proteja-a removendo objetos perigosos;
2) Se ocorrer perambulação fique com a pessoa e fale calmamente.

As crises de ausência e crises parciais simples não necessitam de primeiros socorros.

O que fazer se a criança tem crises durante o sono? As crianças são geralmente acordadas pelas crises que ocorrem enquanto dormem. Assim, os familiares são alertados quando elas ocorrem. Somente nos raros casos em que a criança vomita ou experimenta outros problemas durante a crise existe necessidade de preocupação.

“O tratamento é feito com medicamentos específicos e, para isso, existem vários disponíveis no mercado. As estatísticas mostram que 80% dos pacientes apresentam remissão completa com o tratamento clínico e após um determinado período de tratamento o medicamento poderá ser dispensado .Os casos rebeldes ao tratamento clínico poderão se beneficiar com o tratamento cirúrgico.”(2)

Muitas drogas anticonvulsivas têm efeitos colaterais. Podem variar de leves a severos e diferem dependendo da droga e da dosagem. Alguns dos efeitos colaterais mais comuns das drogas antiepilépticas são: sonolência, tontura, náusea, irritabilidade e hiperatividade.

‘As crises convulsivas febris são diagnosticadas como epilepsia’?

Não, pois não se trata de uma epilepsia, mas sim de uma crise convulsiva desencadeada por uma intercorrência que é a febre. Trata-se de uma hipersensibilidade ao quadro febril.

A convulsão febril pode se manifestar em qualquer idade?

 Aceita-se a convulsão febril manifestando-se até a idade de 5-6 anos, sendo que é mais freqüente nos 3 primeiros anos de vida.

Como se trata a convulsão febril?

 O mais importante é orientar os pais,para que seja  ministrado um anti- térmico logo que percebam a temperatura elevada, banhos mornos para reduzir a temperatura. Procurar o médico para se detectar a causa da febre. Os anticonvulsivantes são empregados em casos especiais, pois o risco de recorrência é baixo.

Pessoas com epilepsia podem nadar? É prudente que uma pessoa com epilepsia converse com seu médico antes de decidir começar a nadar. Quando uma pessoa com epilepsia vai nadar ela não pode ir sozinha (regra de segurança na água que vale para todos). É também recomendado que a natação seja realizada em piscina supervisionada e não em praias, lagos ou rios.
Pode a epilepsia trazer problemas na escola? Desordens críticas de longa duração podem estar associadas com dano cerebral induzido pelas crises e consequentes problemas de memória. Crianças com epilepsia podem também apresentar problemas de aprendizagem ou de concentração pela desordem neurológica subjacente ou pela medicação. Se uma criança com epilepsia está com problemas na escola, tanto academicamente como socialmente, a professora deve ser solicitada a ajudar. Em acordo com a professora da criança, um programa modificado pode ser arranjado, se necessário. Crianças com epilepsia devem ser incentivadas a participar de todas as atividades regulares da escola, inclusive esportes.

A psicoterapia é recomendável uma vez, que estes desdobramentos das crises impõem sofrimento psicológico para o cliente, ajudando-o a lidar com a epilepsia. Outra aplicação deve-se a melhora da qualidade de vida, diminuindo o stress, retirando assim um poderoso desencadeante das crises epilépticas.

(1)http://www.neurosapiens.com/perguntas.htm

 

FAQ mantida por Andrew Patrick –

http://www.debra.dgbt.doc.ca/~andrew/epilepsy/

FAQ da Epilepsy Foundation of America - http://www.efa.org/

Dr. Abram Topcewsky  - http://www.mentalhelp.com/epilepsia.htm

 

Pesquisa Alexandre Rivero