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“Transtorno do Pânico”

por *Alexandre Rivero

 

 “Que estranho a respiração ficou difícil e curta, o coração batia rápido e forte, eu transpirava muito, parece que ia desmaiar. Uma tontura persistente ... Medo, aflição, não sei tudo estava ficando estranho achava que ia morrer, ou ficar louco. Não queria que os outros percebessem..”

      

Você está na fila do supermercado, algumas pessoas à sua frente. De repente uma sensação desagradável, o peito aperta, nó na garganta, o ar está faltando, o coração parece bater diferente. Você sente tontura, a ansiedade está aumentando... Você abandona a fila e quer ir embora. Diz para si mesmo: “Tenho medo de morrer. O que acontecerá se o medo me vencer? Serei hospitalizado? Estarei  enlouquecendo? As pessoas vão perceber meu desequilíbrio?  O que é isso, de onde vem?" Estes pensamentos geram mais ansiedade e o medo aumenta. O medo intenso parece tomar conta de você. Isto se chama Ataque de Pânico. Muitas pessoas sofrem de Ataque de Pânico, mas na verdade não sabem. Freqüentam cardiologistas e clínicos diversos, realizam exames clínicos numa verdadeira maratona na área de saúde em busca de um diagnóstico. 

 

Sintomas:  Estas pessoas experimentam tensão muscular, palpitações no coração, dor ou desconforto torácico, tontura, atordoamento, náusea, dificuldade de respirar, boca seca, calafrios ou ondas de calor, sudorese, sensação de "estar sonhando" ou distorções de percepção da realidade, terror, sensação de que algo horrível poderá acontecer, confusão, medo de perder o controle, fazer algo embaraçoso, vertigens, medo de morrerou ficar louco. O Sistema de defesa do organismo é ativado, como se a pessoa fosse sofrer um ataque, ela se prepara para um acontecimento catastrófico.

As pessoas com Transtorno do Pânico parecem ter algumas destas características: percepção do corpo hiper-dimensionada (coração, desconfortos físicos, etc...) como uma ameaça significativa, há um entendimento de que a morte ou a loucura pode ocorrer agora. Crenças de incapacidade para atuar frente ao mundo e baixa autoconfiança. Alto nível de exigência pessoal e profissional revelando um perfeccionismo exagerado.

Neste transtorno surgem ataques de pânico (ataques recorrentes de uma ansiedade grave), sendo imprevisíveis as situações que ocorrem (você fazendo compras, trabalhando, dormindo, etc). Podem acontecer sem razão aparente, ou como resposta a antecipação de uma situação temida. A ansiedade é muito acentuada.

Nosso cérebro comunica-se através de neurotransmissores, a serotonina, noradrenalina e a dopamina entram em alteração. Um grande número de pessoas é atingido pelo Ataque de Pânico, a maior freqüência está entre mulheres e pessoas na faixa etária de 21 a 40 anos.

As pessoas com Transtorno do Pânico parecem ter algumas destas características: percepção do corpo (coração, desconfortos físicos, etc...) como uma ameaça significativa, há um entendimento de que a morte ou a loucura pode ocorrer agora. Crenças de incapacidade para atuar frente ao mundo e baixa autoconfiança. Alto nível de exigência pessoal e profissional revelando um perfeccionismo exagerado.

O Ataque de Pânico pode ser decorrente do Transtorno de Pânico, Fobia Social ou Específica, Stress e outros. Para um diagnóstico diferencial deve-se levar em consideração o contexto em que o pânico ocorre.

Neste transtorno surgem ataques de pânico (ataques recorrentes de uma ansiedade grave), sendo imprevisíveis as situações que ocorrem (você fazendo compras, trabalhando, dormindo, etc). Podem acontecer sem razão aparente, ou como resposta a antecipação de uma situação temida. A ansiedade é muito acentuada.

Causas: (Possíveis hipóteses)

- Interpretações catastróficas erradas de certas condições corporais. – Clark, 1986

- Interpretações catastróficas para acontecimentos no contexto de vida.

- Ameaças na sociabilidade: rejeição e reprovação e na individualidade: doença,  perda de controle, loucura e morte. Beck

- Educação infantil punidora, gera medo de agir e obter punições.

- Forma de não crescer e permanecer com a família de origem. Temer catástrofe com os pais, (situações familiares, profissionais, religiosas).

 

 

Como lidar com o Pânico?

 

1- Perceba que o Transtorno do pânico causa a falsa impressão de que seus sintomas corporais são muito perigosos.

2- Deixe o medo acontecer, compreenda que você liberou uma grande quantidade de adrenalina por avaliar que esta vivendo uma situação perigosa. Esta adrenalina causa desconfortos físicos, espere o organismo absorver esta alteração química em seu corpo.

 3- Pensamentos exagerados, de perigos imaginários irão agravar a sensação de pânico. Observe a possibilidade de construir outras maneiras de olhar e lidar com estas situações que lhe preocupam. Muitas vezes estes pensamentos negativistas e catastróficos querem protegê-lo prevenindo-o de possíveis perigos imaginários, contudo estão criando um clima de ameaça que produz a experiência de pânico. Considere as situações de vida de maneira mais suave.

 4- Respire lentamente, com a ajuda do abdomem. Evite a respiração curta e rápida, que produz hiperventilação. Causando hiper oxigenação no cérebro, gerando sensações de tontura e mal estar.

5- Confie que o transtorno do Pânico é tratável com Terapia Cognitiva-Comportamental (Psicólogos) e em alguns casos com ajuda médica.

6- Valorize-se por estar buscando superar o pânico.

7. Reestruturação Cognitiva: identificar e rever pensamentos distorcidos e catastróficos.

8-Treino de Relaxamento

9- Inundação: imaginar o pior, a situação mais temida. Este confronto desmistifica a catástrofe. Produz enfrentamento da situação. Revendo o hiperdimensionamento construído.

10- Rever crenças de que “coisas ruins vão acontecer comigo se eu não agir bem” por “o prazer e realização pessoal são as coisas significativas da vida”.

11-  Desenvolver auto-estima e autoconfiança em suas capacidades.

14- Aprender a correr riscos e tolerar frustrações. Enfrentar medos e ansiedades.

15- Hiperventilação: Acelerar e tornar a respiração curta, simulando  as impressões quando do ataque de pânico. Sensibilizando para a importância de uma respiração adequada.

    16- Análise da Narrativa (Refletir nas estórias sobre: si mesmo, situações de vida, pessoas --> procurar estabelecer

            padrão de pensamento repetitivo nas diversas narrativas)

 

     

    Deve-se ressaltar, que além da Terapia Cognitiva é importante observar os avanços na área de antidepressivos para controlar os Transtornos Ansiosos, como o Transtorno de Pânico. Portanto o tratamento deve envolver equipe multidisciplinar.

 
 
Histórias de Superação: Vencendo o Pânico
Sou J. P. na adolescência tive uma crise de aflição muito forte, medo intenso, achava que ficaria louco, meu coração aumentava a frequência, parecia que desmaiaria, tremia e sentia contrações musculares. Procurei cardiologista, clínico e não foi encontrado nada que justificasse as crises. Tinha vergonha de falar para as pessoas, comecei evitar sair de casa, não sabia quando iria aparecer uma nova crise. Passei a ter medo de sentir medo. Minha vida ficou limitada (namoro, amigos, trabalho, vagens, etc...), pensava que se as pessoas soubessem o que eu tinha me achariam louco. As crises foram se agravando, aconteciam em casa, na rua, no cinema, na escola...Quantas vezes me tranquei no banheiro e chorei querendo que a crise passasse, mordia meus lábios para não sentir aflição tão forte. Quanto mais lutava contra piorava ainda mais. Eu não entendia de onde vinha aquilo tudo, é como se um monstro fosse me atacar.  Em 1999 li um texto de jornal sobre "Sindrome do Pânico", tudo começava a se esclarecer. Era exatamente o que eu sentia durante anos! Busquei ajuda psicológica, uma psicóloga que tinha muito conhecimento sobre este adoecimento, explicou-me dos efeitos da ansiedade, das alterações químicas, da adrenalina e  disse que o meu comportamento de querer parar o que eu sentia a todo custo ou descobrir a causa só estava gerando mais ansiedade e pânico. Ela pediu para eu ler os sintomas do Transtorno do Pânico, me identifiquei. Iniciei terapia cognitiva-comportamental, durante 6 meses tive acompanhamento médico. Hoje faz 1 ano de terapia estou muito melhor, não tenho mais crises de pânico, mas sei que tenho uma tendência a exagerar os acontecimentos e isto me causa ansiedade. Procuro perceber e interromper estes pensamentos exagerados.Estou conseguindo.... dirigir carro, sair sozinho e namorar.

Histórias de Superação:

Histórias que retratam a superação de transtornos psicológicos. Registros da importância do tratamento psicológico algumas vezes associado ao tratamento médico.

Casos Clínicos que ilustram o valor do diagnóstico e a intervenção psicoeducativa, permitindo ao paciente apropriar-se do conhecimento científico (biblioterapia).

 

 

* Rivero é psicólogo clínico, mestrado USP e professor universitário

 

         Artigo:  Estratégias para lidar com o Pânico (Gazeta do Ipiranga dia 03 de Fevereiro de 2005)

 

 “Que estranho a respiração ficou difícil e curta, o coração batia rápido e forte, eu transpirava muito, parece que ia desmaiar. Uma tontura persistente ... Medo, aflição, não sei tudo estava ficando estranho achava que ia morrer, ou ficar louco. Não queria que os outros percebessem....”

 

O Transtorno do Pânico tem incidência aproximada de 1,6% a 2,4% da população.           Muitas pessoas refletem como poderiam lidar com o pânico.  O Centro de Ross para Ansiedade e Desordens de Washington, bem como Aaron Beck e outros pesquisadores tem desenvolvido estratégias eficazes no lido com Ataques de Pânico. Nós no Consultório de Psicologia e Resignificação Humana recebemos pacientes com este transtorno e buscamos em sintonia com estes centros de excelência, no tratamento do Pânico intervir clinicamente, com bases na Terapia Cognitiva. Vejamos algumas estratégias úteis:

 

1- O Transtorno do pânico causa a impressão de que seus sintomas são perigosos, embora sofridos tratam-se de uma catastrofização de reações corporais esperadas.

2- Aceite o medo (dê permissão para sua ocorrência), resistindo você intensifica seu medo e espere passar (quando você sente o pânico parece que nunca irá parar, mas lembre-se que ele já passou inúmeras vezes). Na medida em que você confrontar seus medos e não tentar afastá-los a todo custo irá perceber a diminuição da intensidade do pânico.

3- Evite pensar no condicional, “se”, “isto poderá ocorrer”. Procure ficar no presente, observe o que está ocorrendo, não o que supõe poderia ocorrer.

4- Classifique seu medo de zero a dez. Observe que ele não permanece elevado por muito tempo, se você parar de adicionar pensamentos de um futuro incerto.

5- Busque realizar tarefas simples, mesmo que de maneira mais lenta (não fique olhando apenas para si mesmo), refocalize seu centro de atenção.

6- Procure respirar lentamente, com a ajuda do abdomem. Evite a respiração curta e rápida, que produz hiperventilação. Causando hiper oxigenação no cérebro, gerando sensações de tontura e mal estar.

7- Reflita em seus pensamentos verifique se você não está intensificando emoções, catastrofizando situações. Observe se não existem outras maneiras de olhar e lidar com estas situações que lhe preocupam. Muitas vezes estes pensamentos negativistas querem protegê-lo, contudo estão criando um clima de ameaça que produz a experiência de pânico. Procure considerar situações de vida de maneira mais suave.

8- Confie que o transtorno do Pânico é tratável com Terapia Cognitiva (Psicólogos) e Medicação (Médicos).

9- Valorize-se por estar buscando lidar com o pânico.

 

(Jerilyn Ross, M.A., L.I.C.S.W., o Centro de Ross para Ansiedade e Desordens, Inc., Washington, C.C.. Adaptado de Mathews et de al., 1981 e Beck, Emery e Greenberg, 1985)

Alexandre Rivero é Especialista em Psicologia Clínica, Mestrado (USP), Professor Universitário e Supervisor Clínico no Consultório de Psicologia e Resignificação Humana. Rua Bom Pastor, 1715 Ipiranga – Fone: 2274-8217