
Assista o vídeo Dalai Lama (Prêmio Nobel da Paz) em 1991 no Congresso dos EUA.
Tibet e a Construção Sócio-Cultural do Homem
O homem encontra sua humanidade na vivência cultural, Vygotsky é enfático nesta assertiva. O estabelecimento dos processos psicológicos superiores como: linguagem, abstração, pensamento lógico, julgamento moral, se estabelecem no ambiente cultural. As funções do córtex cerebral criam possibilidades, mas a efetivação deste potencial se dá com a vivência sócio-cultural.
Feuerstein positiva a idéia de que reforçar a cultura, através de seus ritos é fundamental para o desenvolvimento do homem. Desta forma podemos entender como um psicólogo sócio-cognitivista (Feuerstein) se interessa por Carl Gustav Jung. Os ritos possibilitam que as pessoas potencializem as funções psicológicas: como inteligência, afetividade e socialização.
Jung dedicou-se a compreender a importância psicológica dos mitos, nas diferentes culturas.
Campbell mostra os efeitos empobrecedores da vida humana e os riscos das viagens químicas numa sociedade desmitologizada, que rompeu com a transcendência. O fim das viagens míticas, presentes nos heróis, nas sagas de ancestrais, nos ritos sagrados invadem o homem moderno de um vazio, que segundo Campbell encoraja a dependência química.
O Tibet está a mais de 50 anos subjugado pela China, com perda de seus valores, mitos e ritos. A população do Tibet deseja o direito de auto-determinação, a volta de Dalai Lama, a reconstrução de seus templos e o fim das torturas. Esta nação pacífica e com uma representação cultural tão rica tem sido exterminada.
A mundialização e o acesso a tecnologia deve fortalecer a identidade cultural dos povos. A ruptura da cultura de um povo compromete todo sistema ecológico-cultural mundial. O Tibet com sua cultura milenar, sua visão de homem e sua filosofia de vida tem muito a contribuir na configuração sistêmica do nosso mundo.
O mundo vive em uma rede de trocas culturais, que nos enriquecem e permitem desenvolver possibilidades novas, no campo intrapessoal e interpessoal.
A necessidade de repressões culturais, para manutenção de domínios talvez seja o grande enigma que o homem pós-moderno precisa decifrar e superar. Aprender a conviver com o diferente, com outras possibilidades, enfim viver a multiplicidade de estilos de vida. Afim de que possamos ser plenos no Planeta Terra. O Tibet é hoje o símbolo da exclusão cultural, num mundo que precisa fortalecer a cultura do respeito à diversidade.
Alexandre Rivero
Fev/2004