Família, Violência e Ética

 

A família é um patrimônio da humanidade que tem como missão fundamental proteger seus membros e garantir o desenvolvimento da espécie. A família garante o estabelecimento e o desenvolvimento de potencialidades humanas como inteligência, afetividade, memória, linguagem, motricidade ....A família é o grupo primeiro que nos possibilita apropriarmos dos valores e conhecimentos de nossa cultura.

A família é uma construção humana a nos viabilizar enquanto pessoas, nutrindo nosso físico, no inicio da vida e nosso ser psicológico com afetividade e estimulação mental.

O que está acontecendo com a família hoje? A mídia publica constantemente crimes hediondos envolvendo familiares, barbáries, passionalidade desenfreada.... , sabemos historicamente que estes acontecimentos sempre ocorreram a mitologia grega, egípicia ... nos oferecem exemplos constantes destas ocorrências, entretanto na atualidade parece que estes crimes vão sendo banalizados, a inversão de valores, a quebra de papéis e a desconstrução da figura da autoridade, torna-se lugar comum.

Viver família envolve sintonia, sentido de equipe, foco comum em objetivos, buscar semelhanças e respeitar as diferenças. Família envolve pluralidade de relações e papéis, cada qual desempenha os seus devidos papéis, o de pai, mãe, filho(a), irmão(ã) , genro, sogra(o), nora......Através dos papéis expressamos as diferentes características de nossa personalidade. Mas talvez a principal característica da família é ser um ambiente de educação e mediação do desenvolvimento de seus membros. A família inteligente é aprendente, procura cultivar o diálogo, se automonitora, reflete nas ações de seus membros procura aprender com os enganos, aprimora-se com a experiência, busca valorizar o acerto de cada um. Os membros sabem que precisam como todo time, passar incentivo a seus pares, elogiar as ações de compromisso com o grupo, fornecer exemplos éticos, fortalecer estratégias ricas em desenvolvimento pessoal. Pais que negligenciam os propósitos de educação e aprendizado de seu grupo familiar, podem consagrar atitudes de subestimação dos recursos de seus filhos na superproteção ou no abandono, gerando inseguranças e sentimentos de baixa estima em seus filhos. Pais que negam-se a testemunhar condutas pró-sociais de respeito ao outro, a comunidade criam uma visão de mundo estreita e limitada para seus filhos. A generosidade e a superação de ensimesmar-se cria condições de substanciar a família plena de recursos.

A expressão da família no inicio de milênio se transforma, os hábitos se modificam, os papéis sofreram revisões nos últimos anos. A nova família reúne por vezes filhos de mais de um casamento, cria-se a função da maternidade e da paternidade de maneiras múltiplas: em relação ao filho da companheira(o) de outro casamento, na dedicação à uma mãe,  pai, sogro(a) atingido pelo envelhecimento cerebral a exigir cuidados especiais, através da funcionária de família que acompanha as crianças enquanto os pais trabalham, contudo é preciso descobrir e valorizar esta criação humana tão rica no intercâmbio entre pessoas, reconhecendo que família é escola de aprendizado e renovação.

Revitalizar a família através de programas que garantam uma renda mínima, um emprego digno para seus membros responsáveis, difundir a idéia que não nascemos sabendo ser pais,  marido e mulher, mas sim aprendemos, daí a importância de criar pontes de apropriação do conhecimento psicológico e educacional pelos pais/educadores, estimular a assistência psicológica no aprendizado de gerenciar conflitos conjugais através da terapia de casal. Fazer brilhar a luz da família, como grupo de suporte para seus membros e aprendizado de vivência comunitária é preceito fundamental. Como podemos imaginar um homem rico em desenvolvimento cognitivo e afetivo num ambiente familiar fragilizado e deficitário. Buscar estabelecer uma família com pais não autoritários nem negligentes, mas com autoridade; mais do que um aglomerado de pessoas, uma equipe; é o grande desafio para prevenir transtornos psicológicos e garantir uma vida de qualidade. Estes últimos acontecimentos de violência no núcleo familiar podem converter-se em experiências reforçadoras para perseverarmos em projetos e ações de fortalecimento da família. Tendo em vista esta necessidade nosso Consultório de Psicologia e Resignificação Humana mantém o Projeto Cidadania, visando levar conhecimento e esclarecimento da Psicologia e da Educação para a comunidade através de palestras e programas que possam mediar o conhecimento científico para população.

Alexandre Rivero

 

Psicólogo CRP 06/8815

Consultório de Psicologia e Resignificação Humana

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