Domingo é dia de todas as mães......

Texto publicado na Gazeta do Ipiranga 09 de Maio de 2003

 

A maternidade é uma função ampla multidimensional, criadora de matizes diversas. A co-criação da vida envolve: a proteção, o acompanhar, o crescimento, o fornecer modelos de vida, o amparar, o  acarinhar, o estar com  a criação. O 3ºmilênio fala do desenvolvimento do homem, superando o concreto, o mecânico e buscando o virtual, o abstrato o além da aparência sólida. A função materna pode ser entendida como a possibilidade de instalar e garantir vida, além dos limites biológicos, concreto e palpável. A avó que cumpre esta função na ausência da mãe, a adoção como expressão máxima da acolhida superadora dos limites consangüineos, o pai carinhoso que revela em momentos a possibilidade da maternidade, a irmã dedicada que acompanha o irmão suprindo suas carências de filho, o educador que constrói o ambiente propício para a criação do saber, a cuidadora da 3ªidade que recompõe o clima de materno com idosos em desamparo pela degeneração neurológica, a amiga que acolhe o amigo na hora da vulnerabilidade afetiva, a palavra dedicada e delicada do colega na instituição profissional que abre espaço de reconstrução e capacitação para o colega preterido, o profissional de saúde que resgata a esperança na enfermidade ameaçadora....., quantas mães que geram possibilidades de vidas. O biológico estabelece a oportunidade do exercício materno, contudo somente a adoção consciente e decidida assegura o ser mãe.

A sociedade brasileira reclama o resgate da função materna, responsabilidade social é assumir compromissos com a comunidade, com solidariedade, dedicação e ações de transformação. Adotar políticas sociais em ambientes de profissionalização vencendo o amadorismo, o assistencialismo  puro e simplista é fundamental, contudo se não buscarmos ir além do mero exercício profissional e resgatar a paixão e o ideal, a dedicação cidadã assegurando condições de proteção e amparo não teremos espaço para construirmos a competência e a capacitação profissional. Algumas pessoas-mães lutaram pela função materna como ato de garantir a Vida Cidadã, vejamos: Betinho, Irmã Paulina, Martin Luther King, Dom Evaristo Arns, Gilberto Dimenstein, Paulo Freire, Alice Tibiriçá, Luisa Erundina e tantos outros...., foram além do exercício profissional e viveram o ideal de gerar vida e garantir o crescimento da vida. Ousaram querer vida em abundância para os seus parceiros de experiência comunitária.

Que este dia das mães seja o dia de todas as mães, das biológicas e das que despojadas dos vínculos evidentes da maternidade, souberam ser mães de toda vida tenra, ameaçada, potencial, incerta, que reclamava por acolhida, independente da idade, da orientação sexual, da raça, da abordagem religiosa ou política, mas que reclamava cuidados e souberam abraçar e com seu calor gestar a Vida. Durante 23 anos de exercício profissional como psicólogo tenho encontrado exemplos comoventes de pessoas que com seus atos tecem malhas consistentes para que a vida continue se manifestando e ampliando seus limites, estas pessoas constroem um clima que garante a assertiva profundamente humanística uma vida por outra vida.

 

Alexandre Rivero é Psicólogo, Especialista em Psicologia Clínica e Supervisor no Consultório de Psicologia e Resignificação Humana - Fone: 2274-8217 www.oconsultorio.com