Pais e irmãos influenciam uso de drogas entre adolescentes

NOVA YORK (Reuters Health) - Um bom diálogo familiar pode ajudar os adolescentes a ficar longe das drogas, álcool e fumo. Os irmãos também têm um papel importante na hora de para passar o recado, segundo uma nova pesquisa do Centro Nacional sobre Dependência e Abuso de Substância (CASA), da Universidade Colúmbia, em Nova York.

A pesquisa do CASA incluiu mil adolescentes na faixa etária de 12 a 17 anos, metade deles meninos e a outra parte de meninas, junto com 541 pais, sendo 317 pais dos adolescentes entrevistados.

A pesquisa avaliou a influência dos irmãos nas chances de jovens experimentarem drogas, álcool ou cigarros e foi realizada para o CASA pela QEV Analytics, empresa de pesquisa de opinião com sede em Washington (DC).

O trabalho verificou que a opinião dos irmãos teve um grande impacto na decisão dos adolescentes. Os jovens que disseram que os irmãos ou irmãs mais velhos ficariam "muito bravos" se descobrissem que eles usavam maconha foram menos propensos a consumir drogas ou álcool, em comparação ao grupo que disse que os irmãos não ficariam bravos.

"É um tema relacionada à percepção", disse Ellen Ross, diretora de comunicação da CASA, à Reuters Health. "Se os irmãos mais novos pensam que os mais velhos usam drogas, o risco aumenta substancialmente."

A pesquisa também verificou que os pais poderiam subestimar sua influência na decisão do filho sobre usar ou não drogas. Os pesquisadores encontraram um "número perturbador" -- mais de um terço -- de pais que consideravam o fato de haver drogas na escola como uma realidade e que os diretores não tinham condições de eliminar o problema.

Na pesquisa de 2000, quase metade dos adolescentes que não tinha experimentado maconha disse que a influência dos pais foi responsável pela decisão.

"Os pais acham que os filhos não querem que se envolvam em suas vidas", disse Ross. "Entretanto, não é isso que acontece. As crianças querem limites, querem ouvir o que é aceitável ou não."

O trabalho também verificou que os adolescentes, cujos pais consideravam os filhos "muito propensos" a usar drogas no futuro, foram três vezes mais propensos a fumar, beber ou usar drogas ilícitas, comparados ao grupo cujos pais disseram que o uso de drogas era "totalmente improvável".

Um bom diálogo familiar é fundamental para evitar dependência química e deve ocorrer antes que as crianças estejam em situação de risco, informou o CASA. "A dura realidade é que para a maioria dos adolescentes, o nível médio na escola é muito tarde para iniciar o diálogo", informou o documento.

A maioria dos adolescentes que usa álcool, cigarros e maconha aos 15 anos, continua usando. A faixa etária crítica é entre 12 e 16 anos, quando os pesquisadores verificaram que a probabilidade de usar droga aumenta em quase 500 por cento.

Os adolescentes que jantaram com a família seis ou sete vezes por semana tiveram quase metade do risco de usar drogas e álcool, comparados ao grupo que jantou com familiares duas vezes por semana ou menos.

A partir desses resultados, o presidente Bush e governadores de 32 Estados declararam 23 de setembro como dia da Família, "um dia para jantar com os filhos", como símbolo para lembrar aos pais a importância do diálogo com os filhos.

"É a forma mais natural e confortável dos pais falarem com os filhos e saber o que está acontecendo na vida das crianças", disse Ross.