Causas de suicídio na China são similares às do Ocidente

NOVA YORK (Reuters Health) - As características dos suicídios na China são muito diferentes das observadas no restante do mundo. Mas os principais fatores de risco, que incluem depressão grave e estresse crônico, são bem parecidos com os dos países ocidentais, informaram pesquisadores.

Num estudo realizado com crianças e adultos chineses de famílias em que houve casos de suicídio, os pesquisadores constataram que os fatores de risco mais importantes foram depressão grave, tentativa anterior de suicídio, estresse crônico e baixa qualidade de vida.

Esses fatores de risco são semelhantes aos tipicamente encontrados nas nações ocidentais, embora as características das pessoas que cometem suicídio com mais frequência na China -- idosos residentes em áreas rurais e mulheres jovens -- sejam significativamente distintas das apresentadas por grupos de maior risco em outras partes do mundo, informaram os autores do trabalho.

"Apesar de haver diferenças substanciais entre as características das pessoas que cometem suicídio na China e no Ocidente, os fatores de risco não são muito distintos", afirmou a equipe de Michael R. Phillips, do Centro de Prevenção e Pesquisa sobre Suicídio, em Pequim, na edição de 30 de novembro da revista The Lancet.

No início deste ano, o mesmo grupo de cientistas havia relatado que o suicídio continua sendo um grande problema de saúde pública na China, país onde é a principal causa de morte entre adultos jovens -- nos últimos anos, o suicídio representou a causa de um terço das mortes de mulheres jovens que residem em áreas rurais.

Como os grupos populacionais chineses sob maior risco de cometer suicídio diferem dos atingidos na maioria dos outros países, a equipe pretendia verificar se os fatores de risco que levam as pessoas a se matarem também eram outros.

Os resultados, obtidos a partir de entrevistas com familiares e amigos de mais de 500 vítimas de suicídio de toda a China, parecem não ter confirmado esta última hipótese.

Apesar disso, os pesquisadores verificaram que a taxa geral de distúrbios mentais entre as vítimas de suicídio na China (63 por cento) foi muito inferior à registrada em outros países (90 por cento ou mais).

Os autores do estudo lembraram que uma qualidade inferior no diagnóstico de doença mental ou a indisposição dos familiares para comentar o problema podem explicar a diferença. A equipe concluiu, porém, que "a explicação mais provável é que muitos suicídios são atos impulsivos de pessoas não afetadas por doença mental".

Os pesquisadores pediram a intensificação dos esforços de prevenção de suicídio na China, incluindo a realização de campanhas educativas sobre suicídio e saúde mental e a criação de "redes de apoio social" desenvolvidas com a finalidade de ajudar as pessoas em crise a encontrar formas de lidar com seus problemas.

Fonte: The Lancet 2002;360:1728-1736.